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“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade...sei lá de quê!”     Florbela....


"Estira-te bem alto pois as estrelas se escondem em tua alma. Sonha profundamente pois cada sonho precede o objetivo." Sêneca


" Sois belas, mas vazias. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus a redoma. Foi a ela que abriguei com o para-vento. Foi dela que eu matei as larvas. Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa. Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez  tão importante."           Saint-Exupéry

“ Depois de atravessarem o muro e a tarde, os caracóis cessarão. As vezes cessam ao meio. Cessam de repente , por que lhes acaba por dentro a gosma com que sagram os seus caminhos. Vêm os meninos e os arrancam da parede ocos. E com formigas por dentro passeando em seus restos de carne. Essas formigas são indóceis de ocos. Ah, como serão ardentes nos caracóis os desejos de voar.”          Manoel de Barros

 

O que aconteceria se você dormisse? E depois sonhasse? E no sonho fosse até o céu e colhesse uma estranha e bela flor? E quando acordasse, tivesse a flor nas mãos? E então?   Samuel Coleridge

 

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Un Sens à la Vie...










Quarta-feira, Outubro 12, 2011

http://unsensamavie.blogspot.com/

Por Liliith 3:05 PM Comments:


Segunda-feira, Agosto 08, 2011

Na floresta

Na floresta não existe nem rebanho, nem pastor
Quando o inverno caminha, segue seu distinto curso como faz a primavera
Os homens nasceram escravos daquele que repudia a submissão
Se ele um dia se levanta, lhes indica o caminho, com ele caminharão
Dá-me a flauta e canta!
O canto é o pasto das mentes
E o lamento da flauta perdura mais que rebanho e pastor

Na floresta não existe ignorante ou sábio
Quando os ramos se agitam, a ninguém reverenciam
O saber humano é ilusório como a cerração dos campos
que se esvai quando o sol se levanta no horizonte
Dá-me a flauta e canta!
O canto é o melhor saber,
e o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas

Na floresta só existe lembrança dos amorosos
Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram,
seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos
Conquistador entre nós é aquele que sabe amar
Dá-me a flauta e canta!
E esquece a injustiça do opressor
Pois o lírio é uma taça para o orvalho e não para o sangue

Na floresta não há crítico nem sensor
Se as gazelas se perturbam quando avistam companheiro,
a águia não diz: 'Que estranho' Sábio entre nós é aquele que julga
estranho apenas o que é estranhoAh, dá-me a flauta e canta!
O canto é a melhor loucura e o lamento da flauta sobrevive aos ponderados e aos racionais

Na floresta não existem homens livres ou escravos
Todas as glórias são vãs como borbulhas na água
Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro,
não diz: 'Ele é desprezível e eu sou um grande senhor'
Dá-me a flauta e canta!
Que o canto é glória autêntica e o lamento da flauta sobrevive ao nobre e ao vil

Na floresta não existe fortaleza ou fragilidade
Quando o leão ruge não dizem: 'Ele é temível'
A vontade humana é apenas uma sombra que vagueia no espaço
do pensamento e o direito dos homens fenece como folhas de outono
Dá-me a flauta e canta!
O canto é a força do espírito e o lamento da flauta sobrevive ao apagamento dos sóis

Na floresta não há morte nem apuros
A alegria não morre quando se vai a primavera
O pavor da morte é uma quimera que se insinua no coração
Pois quem vive uma primavera é como se houvesse vivido séculos
Dá-me a flauta e canta!
O canto é o segredo da vida eterna e o lamento da flauta permanecerá após findar-se a existência.

Khalil Gibran

Por Liliith 3:06 PM Comments:


Quarta-feira, Julho 13, 2011

“A chama que arde o dobro dura a metade do tempo”

Por Liliith 5:15 PM Comments:


Quarta-feira, Abril 20, 2011

ESPERA POR MIM

Espera por mim, que eu voltarei,
Mas tens de esperar muito
Espera quando a chuva amarela
Tristeza trouxer,
Espera quando a neve vier,
Espera quando fizer calor,
Espera quando os outros não esperarem,
Esquecidos do passado.
Espera, quando dos países distantes
Cartas não chegarem,
Espera, quando até se cansarem
Aqueles que juntos esperam.

Espera por mim, que eu voltarei,
Não perdoes àqueles
Que encontram palavras para dizer
Que é tempo de esquecer.
E se crêem, filho e mãe,
Que já não vivo,
Se os meus amigos, cansados de esperar,
Se sentam à lareira
E bebem vinho amargo
Para me recordarem…
Espera. E com eles
Não te apresses a beber.

Espera por mim, que eu voltarei
A despeito da morte.
Quem não me esperou,
Que diga: ‘Teve sorte!’
Não compreendem os que não esperavam
Como no meio do fogo
A tua espera
Me salvou.
Como sobrevivi, saberemos
Só tu e eu, -
É porque me soubeste esperar
Como ninguém mais.

Konstantin Simonov

Por Liliith 6:23 PM Comments:


Quarta-feira, Março 23, 2011

Ouvi o dia inteiro hoje!!!!

The Baseballs - Hot N Cold



Fiquei viciada nessa banda!!!


Por Liliith 7:53 PM Comments:


Sexta-feira, Novembro 19, 2010

Poesia através da imagem -> Irene Suchock
Lindas!



Por Liliith 9:42 PM Comments:


Quinta-feira, Novembro 04, 2010



"Mude, mas comece devagar, porque a direção

é mais importante que a velocidade.

Mude de caminho, ande por outras ruas,

observando os lugares por onde você passa.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Descubra novos horizontes.




Não faça do hábito um estilo de vida.




Ame a novidade.

Tente o novo todo dia.

O novo lado, o novo método, o novo sabor,

o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.

Busque novos amigos, tente novos amores.

Faça novas relações.

Experimente a gostosura da surpresa.

Troque esse monte de medo por um pouco de vida.

Ame muito, cada vez mais, e de modos diferentes.

Troque de bolsa, de carteira, de malas, de atitude.




Mude.

Dê uma chance ao inesperado.

Abrace a gostosura da Surpresa.




Sonhe só o sonho certo e realize-o todo dia.

Lembre-se de que a Vida é uma só,

e decida-se por arrumar um outro emprego,

uma nova ocupação, um trabalho mais prazeroso,

mais digno, mais humano.

Abra seu coração de dentro para fora.

Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.

Exagere na criatividade.




E aproveite para fazer uma viagem longa,

se possível sem destino.

Experimente coisas diferentes, troque novamente.

Mude, de novo.

Experimente outra vez.

Você conhecerá coisas melhores e coisas piores,

mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,

o movimento, a energia, o entusiasmo.

Só o que está morto não muda!" - Edson Marques

Linda poesia, peguei do blog da Gisela, e me traduz no momento... momento de mudanças!!!

Por Liliith 4:48 PM Comments:


Quarta-feira, Setembro 29, 2010

Ultimamente estou sentindo uma paz interior muito grande! Que assim permaneça!!!



Sabe aquelas músicas que alegram a alma? -> Mantra - Nando Reis


Por Liliith 9:29 PM Comments:


Sábado, Junho 26, 2010

Interessante!
Parto Humanizado.

Por Liliith 2:55 PM Comments:


Quinta-feira, Março 18, 2010



Ela me disse que trabalha no correio
E que namora um menino eletricista
- Estou pensando em casamento, Mas não quero me casar.

Quem modelou seu rosto?
Quem viu a tua alma entrando?
Quem viu a tua alma entrar?

Quem são teus inimigos?
Quem é de tua cria?
A professora Adélia,
A tia Edilamar
E a tia esperança.

Será que você vai saber
O quanto penso em você com meu coração?

Quem está agora a seu lado?
Quem para sempre está?
Quem para sempre estará?

Ela me disse que trabalha no correio
E que namora um menino eletricista
As famílias se conhecem bem
E são amigas nessa vida.

- A gente quer é um lugar pra gente
A gente quer é de papel passado
Com festa, bolo e brigadeiro
A gente quer um canto sossegado
A gente quer um canto de sossego.


Eu sou rapaz direito
E fui escolhido pela menina mais bonita.

R.R.

Por Liliith 3:43 PM Comments:


Terça-feira, Fevereiro 02, 2010



"A espera.
Os passos leves.
Depois as horas que correm frescas como um riacho em meio à relva sobre seixos brancos.
Os sorrisos, as palavras sem importância que são tão importantes.
Escutamos a música do coração: é linda, linda para quem sabe ouvir...
Queremos muitas coisas, é claro. Queremos colher todos os frutos e todas as flores.
Queremos sentir o cheiro de todos os campos. Queremos brincar. Será mesmo brincar?
Nunca sabemos onde começa a brincadeira nem onde ela acaba, mas sabemos que somos carinhosos.
E ficamos felizes."

Antoine de Saint-Exupèry

Por Liliith 10:49 PM Comments:


Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

Como lidar com as frustrações do dia a dia? Como entender todas as atitudes desnecessárias para se estragar o bom humor? Quanta perda de tempo, como dizia Lennon: "a vida é o que acontece enquanto você está aí fazendo planos". Sempre almejar a felicidade no futuro, nunca se contentar com o presente. É bom não se acomodar, mas até onde se deve complicar para ser feliz? Será que é maldade comparar a nossa "depressão" com a vida das pessoas do Haiti, os pobres do nordeste, os famintos da África? Sendo assim, eu seria uma Poliana de feliz! Mas não sei se é realmente digno se comparar com os sofrimentos extremos. Nas aulas de psicologia, os professores orientavam a nunca menosprezar a tristeza de outros, isso só fazia a pessoa se sentir mais triste por estar triste, enquanto existem outros mais tristes que ela! Mas esquecendo a psicologia, mudo a pergunta: Seria ético/humano/(ou egosísta) ser triste enquanto outros não tem nem 1/3 do que temos e sofrem muito mais, por questões de sobrevivência, como doenças, fome, miséria? Sempre me pergunto isso quando fico realmente triste.

Por Liliith 10:15 PM Comments:


Segunda-feira, Janeiro 11, 2010

Para começar o ano leve....


_________________________________________


Hoje você está só?

Pode ser que esteja.

Diga alto: Quero conversar!

Ninguém respondeu? Você está só!

Nunca fui sábio nem esperto.

Mas tem uma coisa que eu sei: tem alguém esperando seu telefonema agora.

Exatamente agora.

Alguém que se sente abandonado e gritou “Quero conversar!” e ninguém respondeu.

Nunca fui sábio nem esperto.

Mas sei que você precisa de um café na esquina, um esbarrão na rua, uma piada contada aos berros.

Desconfie do seu computador – ele é a mais cruel forma de solidão.

Aqui estou proclamando o óbvio, mas te avisei: não sou sábio nem esperto.

Mas tem uma coisa que eu sei.

Sai de casa agora!

Vai achar o afeto!

Bate na casa do amigo!

Se ninguém atender, é que ele ta na rua, procurando você.


Oswaldo Montenegro

Por Liliith 10:20 PM Comments:


Domingo, Dezembro 06, 2009

Viagens à trabalho - Manual de Sobrevivência

Considerando que fiz somente este ano 13 viagens à trabalho, já me considero uma expert no assunto! Viajar com uma equipe grande requer grande sabedoria, afinal, administrar relações pessoais não é tão simples. Você pode encontrar pessoas maravilhosas e pessoas muito desagradáveis, com as quais vai precisar conviver durante algum tempo. Após muitas emoções resolvi criar um manual de sobrevivência e compartilha-lo com o mundo (ohhhhhh), pois pode ser muito útil. Vamos aos fatos:

1° Nunca faça uma viagem a trabalho com uma equipe grande.( a não ser que seja coagido e sofra grande assédio moral).

2° Se fizer a viagem, fique o mais invisível possível – não fale demais, não fale sobre sua vida pessoal, não faça piadas, ou melhor: se possível não fale.

3° A maioria dos funcionários adora reclamar do salário, do tempo, do lugar, das pessoas, enfim, da vida. Não compartilhe desses momentos – simplesmente ignore!

4° Leve sempre seu travesseiro, você não vai querer colocar a cabeça onde outros babaram.

5° Leve sempre um chinelo para usar o banho – o banheiro nem sempre é confiável.

6° Leve toalhas e lençol, os do hotel podem não cheirar bem.

7° Leve um livro – será útil para afastar os idiotas.

8° Se você coordena a equipe, concorde com todas as reclamações, evite discussões e tome providências apenas para aquelas que concorda realmente.

9ª Óculos escuro é essencial, você pode fingir que está dormindo.

10° Enfim, fique longe de idiotas, mas se não houver outra forma, torne sua convivência o menos traumática possível - não reclame, não discuta, não opine e não interaja com eles.

Espero não precisar desse manual no próximo ano, nem se o Papa aparecer na minha frente pretendo viajar novamente. Para aqueles que entendem o que digo e precisam passar por isso – Boa Sorte!

Por Liliith 7:47 PM Comments:


Sexta-feira, Setembro 25, 2009




- Um carneiro, se come arbusto, come também as flores?

- Um carneiro come tudo que encontra.

- Mesmo as flores que tenham espinho?

- Sim. Mesmo as que têm.

- Então... para que servem os espinhos?

Eu não sabia. Estava ocupadíssimo naquele instante, tentando desatarraxar do motor um parafuso muito apertado. Minha pane começava parecer demasiado grave, e em, breve já não teria água para beber...

- Para que servem os espinhos?

O principezinho jamais renunciava a uma pergunta, depois que a tivesse feito. Mas eu estava irritado com o parafuso e respondi qualquer coisa:

- Espinho não serve para nada. São pura maldade das flores.

- Oh!

Mas após um silêncio, ele me disse com uma espécie de rancor:

- Não acredito! As flores são fracas. Ingênuas. Defendem-se como podem. Elas se julgam terríveis com os seus espinhos...

Não respondi. Naquele instante eu pensava: "Se esse parafuso ainda resiste, vou fazê-lo saltar a martelo". O principezinho perturbou-me de novo as reflexões:

- E tu pensas então que as flores...

- Ora! Eu não penso nada. Eu respondi qualquer coisa. Eu só me ocupo com coisas sérias!

Ele olhou-me estupefato:

- Coisas sérias!

Via-me, martelo em punho, dedos sujos de graxa, curvado sobre um feio objeto.

- Tu falas como as pessoas grandes!

Senti um pouco de vergonha. Mas ele acrescentou, implacável:

- Tu confundes todas as coisas... Misturas tudo!

Estava realmente muito irritado. Sacudia ao vento cabelos de ouro:

- Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia todo repete como tu: "Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!" e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo!

- Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: "Minha flor está lá, nalgum lugar..." Mas se o carneiro come a flor, é para ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem! E isto não tem importância!

Não pôde dizer mais nada. Pôs-se bruscamente a soluçar.

Eu não sabia o que dizer. Sentia-me desajeitado. Não sabia como atingi-lo, onde encontrá-lo... É tão misterioso, o país das lágrimas!

Exupéry - Le Petit Prince

Por Liliith 9:18 PM Comments:


Terça-feira, Julho 14, 2009



"Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.
E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte."


"A Moça Tecelã", de Marina Colasanti

Por Liliith 4:11 PM Comments:


Terça-feira, Abril 14, 2009



"Quero saber se ficarás comigo no meio do incêndio e não te acovardarás. Não me interessa saber onde, o quê, ou com quem andaste. Quero saber o que te sustenta a partir de dentro, quando tudo o mais se desmorona. Quero saber se consegues ficar sozinho contigo mesmo e se, realmente, gostas da companhia que tens nos momentos vazios."


Jean Houston

Por Liliith 9:20 PM Comments:


Quinta-feira, Março 05, 2009


"Eu ponho-me a sonhar transmigrações
impossíveis, longínquas, milagrosas,
vôos amplos, céus distantes, migrações
longe... noutras esferas luminosas..."

Florbela Espanca

Por Liliith 6:31 PM Comments:


Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009



"Amigos são carinhos que recebemos sem data marcada, estão sempre presentes. Amigos comunicam-se pelo coração. Amigos sentem. Amigos pressentem.Procuram-nos sem motivo,apenas para saber se estamos bem.Podem usar e-mail, telefone, carta,até sinais de fumaça,mas o que prevalece é a voz da alma.

Amigos nos dão força quando estamos desvalidos. Amigos oferecem seu ombro para choramos. Oferecem também a música para dançarmos. Amigos brincam,riem, choram e chegam junto. Oferecem colo, força, abrigo, mas, Antes de tudo, nos entregam seu coração. Amigos são pedras preciosas, ilustres tesouros. Que habitam em nosso ser mais profundo.

Amigos são irmãos de alma!!!"

Desconheço o autor.

Por Liliith 8:16 PM Comments:


Domingo, Novembro 16, 2008



Do seu longínquo reino cor-de-rosa,
Voando pela noite silenciosa,
A fada das crianças vem, luzindo.
Papoulas a coroam, e, cobrindo
Seu corpo todo, a tornam misteriosa.

À criança que dorme chega leve,
E, pondo-lhe na fronte a mão de neve,
Os seus cabelos de ouro acaricia –
E sonhos lindos, como ninguém teve,
A sentir a criança principia.


E todos os brinquedos se transformam
Em coisas vivas, e um cortejo formam:
Cavalos e soldados e bonecas,
Ursos e pretos, que vêm, vão e tornam,
E palhaços que tocam em rabecas…

E há figuras pequenas e engraçadas
Que brincam e dão saltos e passadas…
Mas vem o dia, e, leve e graciosa,
Pé ante pé, volta a melhor das fadas
Ao seu longínquo reino cor-de-rosa.


Fernando Pessoa

Por Liliith 10:45 PM Comments:


Segunda-feira, Outubro 06, 2008



Nossa mãe, o que é aquele
vestido, naquele prego?

Minhas filhas, é o vestido
de uma dona que passou.

Passou quando, nossa mãe?
Era nossa conhecida?

Minhas filhas, boca presa.
Vosso pai vem chegando.

Nossa mãe, dizei depressa
que vestido é esse vestido.

Minhas filhas, mas o corpo
ficou frio e não o veste.

O vestido, nesse prego,
está morto, sossegado.

Nossa mãe, esse vestido
tanta renda, esse segredo!

Minhas filhas, escutai
palavras de minha boca.

Era uma dona de longe,
vosso pai enamorou-se.

E ficou tão transtornado,
se perdeu tanto de nós,

se afastou de toda vida,
se fechou, se devorou,

chorou no prato de carne,
bebeu, brigou, me bateu,

me deixou com vosso berço,
foi para a dona de longe,

mas a dona não ligou.
Em vão o pai implorou.

Dava apólice, fazenda,
dava carro, dava ouro,

beberia seu sobejo,
lamberia seu sapato.

Mas a dona nem ligou.
Então vosso pai, irado,

me pediu que lhe pedisse,
a essa dona tão perversa,

que tivesse paciência
e fosse dormir com ele...

Nossa mãe, por que chorais?
Nosso lenço vos cedemos.

Minhas filhas, vosso pai
chega ao pátio. Disfarcemos.

Nossa mãe, não escutamos
pisar de pé no degrau.

Minhas filhas, procurei
aquela mulher do demo.

E lhe roguei que aplacasse
de meu marido a vontade.

Eu não amo teu marido,
me falou ela se rindo.

Mas posso ficar com ele
se a senhora fizer gosto,

só pra lhe satisfazer,
não por mim, não quero homem.

Olhei para vosso pai,
os olhos dele pediam.

Olhei para a dona ruim,
os olhos dela gozavam.

O seu vestido de renda,
de colo mui devassado,

mais mostrava que escondia
as partes da pecadora.

Eu fiz meu pelo-sinal,
me curvei... disse que sim.

Sai pensando na morte,
mas a morte não chegava.

Andei pelas cinco ruas,
passei ponte, passei rio,

visitei vossos parentes,
não comia, não falava,

tive uma febre terçã,
mas a morte não chegava.

Fiquei fora de perigo,
fiquei de cabeça branca,

perdi meus dentes, meus olhos,
costurei, lavei, fiz doce,

minhas mãos se escalavraram,
meus anéis se dispersaram,

minha corrente de ouro
pagou conta de farmácia.

Vosso pai sumiu no mundo.
O mundo é grande e pequeno.

Um dia a dona soberba
me aparece já sem nada,

pobre, desfeita, mofina,
com sua trouxa na mão.

Dona, me disse baixinho,
não te dou vosso marido,

que não sei onde ele anda.
Mas te dou este vestido,

última peça de luxo
que guardei como lembrança

daquele dia de cobra,
da maior humilhação.

Eu não tinha amor por ele,
ao depois amor pegou.

Mas então ele enjoado
confessou que só gostava

de mim como eu era dantes.
Me joguei a suas plantas,

fiz toda sorte de dengo,
no chão rocei minha cara,

me puxei pelos cabelos,
me lancei na correnteza,

me cortei de canivete,
me atirei no sumidouro,

bebi fel e gasolina,
rezei duzentas novenas,

dona, de nada valeu:
vosso marido sumiu.

Aqui trago minha roupa
que recorda meu malfeito

de ofender dona casada
pisando no seu orgulho.

Recebei esse vestido
e me dai vosso perdão.

Olhei para a cara dela,
quede os olhos cintilantes?

quede graça de sorriso,
quede colo de camélia?

quede aquela cinturinha
delgada como jeitosa?

quede pezinhos calçados
com sandálias de cetim?

Olhei muito para ela,
boca não disse palavra.

Peguei o vestido, pus
nesse prego da parede.

Ela se foi de mansinho
e já na ponta da estrada

vosso pai aparecia.
Olhou pra mim em silêncio,

mal reparou no vestido
e disse apenas: — Mulher,

põe mais um prato na mesa.
Eu fiz, ele se assentou,

comeu, limpou o suor,
era sempre o mesmo homem,

comia meio de lado
e nem estava mais velho.

O barulho da comida
na boca, me acalentava,

me dava uma grande paz,
um sentimento esquisito

de que tudo foi um sonho,
vestido não há... nem nada.

Minhas filhas, eis que ouço
vosso pai subindo a escada.

Carlos Drummond de Andrade

Por Liliith 10:21 PM Comments:


Terça-feira, Maio 20, 2008

Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar. Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora.Detonaste o pacto. Detonaste a vida geral, a comum aquiescência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair. Antecipaste a hora.Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas. Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação, o ato em si, o ato que não ousamos nem sabemos ousar porque depois dele não há nada? Tenho razão para sentir saudade de ti, de nossa convivência em falas camaradas, simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas conhecidas e banais que eram sempre certeza e segurança. Sim, tenho saudades. Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar porque o fizeste, porque te foste.

Drummond

Por Liliith 9:49 PM Comments:


Segunda-feira, Maio 12, 2008

Poxa, esse blog não é o mesmo blog de outrora( by Murphy), onde eu contava meu dia a dia, facul, festinhas no Chermont, sextastral, andanças a cavalo, reclamações do emprego... (E minha vida está longe dessas coisas!!!!)
Agora tem somente postagens impessoais, sugestões de música, poesias, reportagens... Mas no fim das contas acabo colocando coisas que considero que outas pessoas gostariam de ver (claro que isso é muito relativo), pois meu gosto é meio digamos "diferente", basta ver o último post sobre a delicadíssima Françoise Hardi, cantora francesa, doce, meiga... e o penúltimo post muda o assunto delicadamente para "pessoas mortas" hohohohohohohohohohohohohoo C´est la vie!
Mas continuando. Ultimamente tenho adicionado muitos sites nos "meus favoritos" e dois deles em especial deixo de sugestão para leitura:

Acho viciante ler o que ele escreve...super inteligente: Blog do Bruno Mazzeo

Me matei de rir (dispensa apresentações): Blog do Marcos Mion

Prometo que nesses blogs não vai ter nada sobre a Isabella, pode ler sem trauma! (hohohoho)

Por Liliith 9:33 PM Comments:


Terça-feira, Abril 29, 2008

Françoise Hardy
Trés Belle!!! Cantora Francesa do início dos anos 60.
Veja a música no link - L´amitie



L´amitie

Muitos de meus amigos vieram das nuvens,
Com o sol e a chuva como bagagem.
Fizeram a estação da amizade sincera,
A mais bela das quatro estações da terra.

Têm a doçura das mais belas paisagens,
E a fidelidade dos pássaros migradores.
E em seu coração está gravada uma ternura infinita,
Mas, as vezes, uma tristeza aparece em seus olhos.

Então, vêm se aquecer comigo,
e você também virá.

Poderá retornar às nuvens,
E sorrir de novo a outros rostos,
Distribuir à sua volta um pouco da sua ternura,
Quando alguem quiser esconder sua tristeza.

Como não sabemos o que a vida nos dá,
Talvez eu não seja mais ninguém.
Se me resta um amigo que realmente me compreenda,
Me esquecerei das lágrimas e penas.

Então, talvez eu vá até você aquecer
Meu coração com sua chama.

Por Liliith 9:47 PM Comments:


Sexta-feira, Abril 11, 2008

Observe bem essa foto!
Você nota algo estranho?
É uma foto do século passado.





Bom... acho que quase ninguém vai saber...mas essa foto se torna sinistra depois que eu contar o seu "segredo".

É simples, a menina da foto está morta.

No século XIX, as pessoas tinham o hábito de tirar fotos de mortos como se eles estivessem vivos, as fotos eram um item de luxo, muito caras e muitas vezes essas pessoas não tinham fotos em vida, então a família aproveitava para tirar no momento da morte. Para ficar de recordação. (Lembram do filme "Os outros?")
Muitas fotos tinham efeitos especiais , colocavam cor na bochechas para dar "vida" à pessoa, ou faziam olhos em cima da pálpebra, para parecerem abertos.
Essa foto em especial me chamou atenção, a menina está de pé com ajuda de apoios de madeira.
Geralmente eram tiradas entre os vivos para o morto parcer mais "vivo" ainda!
Achei o tema muito interessante, mas como é um pouco impressionante , decidi deixar apenas uma foto aqui.
Quem quiser ver mais, acesse:

http://www.gravesights.org/postmortem.htm

http://www.angelfire.com/hi/silverrains/melissa.html

http://www.mundogump.com.br/2008/04/11/album-de-fotos-dos-mortos/
Esse é em português.

Até.


Por Liliith 5:02 PM Comments:


Terça-feira, Março 25, 2008




"A coragem é inegávelmente uma das grandes virtudes da humanidade. Garante sempre imensa tranquilidade de consciêcia. A timidez, o escrúpulo, a dúvida, ao contrário, torturam frequentemente o espírito e conduzem às derrotas e aos desesperos."

(Austregêsilo)

Por Liliith 9:43 PM Comments:


Domingo, Março 02, 2008


"Onde os fracos não tem vez"
Filme , fotografia e interpretação incríveis.

Ps.: Se você gosta de finais felizes não perca tempo indo ao cinema!

Por Liliith 6:40 PM Comments:


Terça-feira, Fevereiro 12, 2008



Nem sempre concordo com Jabor, mas esse texto é uma realidade!!!!



-Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca.


Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida;

Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza;
Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade...

Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.

-Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.

-Fazer piadinha com as imundícias que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.

Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

-Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.

Brasileiro é vagabundo por excelência. - O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo.

O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.

Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

Brasileiro é um povo honesto. Mentira. - Já foi; hoje é uma qualidade em baixa. - Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.

O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.

90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. - Já foi. Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime.

Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas.
Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.

O Brasil é um pais democrático. Mentira. Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente.

Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.

Democracia isso? Pense !

O famoso jeitinho brasileiro.

Na minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar.
No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto...malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né? Grande coisa...

O Brasil é o país do futuro. Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram... Brasil, o país do futuro!? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

Deus é brasileiro. Puxa, essa eu não vou nem comentar...

O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.
Para finalizar tiro minha conclusão:

O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de
apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão.Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!

Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?

Arnaldo Jabor

Por Liliith 8:48 PM Comments:


Terça-feira, Dezembro 04, 2007



“Se eu pudesse trincar a terra toda e sentir-lhe um paladar,

seria mais feliz por um momento...

Mas eu nem sempre quero ser feliz.

É preciso ser de vez em quando infeliz

pra se poder ser natural.

Porque nem tudo é dias de sol,

e a chuva, quando falta, pede-se.

Por isso, tomo a infelicidade com a felicidade,

naturalmente, como quem não estranha que haja

montanhas e planícies. E que haja rochedos e relva.



O que é preciso

é ser-se natural e calmo na felicidade

e na infelicidade.

Sentir... como quem olha.

Pensar... como quem anda...

E quando se vai morrer,

Lembrar-se que o dia morre,

e que o poente é belo. E é bela a noite que fica.

Assim é.

E assim seja....”


Fernando Pessoa

Por Liliith 7:27 PM Comments:


Terça-feira, Outubro 30, 2007

Encontrei uma história muito interessante (e real).
Essa é a história de Elizabeth Batory... uma vampira de verdade!





A Condessa Elizabeth Bathory (Erzsebet Báthory, do original), foi uma das mulheres mais perversas e sanguinárias que a humanidade já conheceu. Os relatos sobre ela ultrapassam a fronteira da lenda e a rotulam através dos tempos como A Condessa de Sangue.
Nascida em 1560, filha de pais de famílias aristocráticas da Hungria, Elizabeth cresceu numa época em que as forças turcas conquistaram a maior parte do território Húngaro, sendo campo de bata-lhas entre Turquia e Áustria. Vários autores consideram esse o grande motivo de todo o seu sadismo, já que conviveu com todo o tipo de atrocidades quando criança, vendo inclusive suas irmãs sendo violentadas e mortas por rebeldes em um ataque ao seu castelo. Ainda durante sua infância, ficou sujeita à doenças repentinas acompanhadas por uma intensa ira e comportamento incontrolável, além de ataques epiléticos. Teve uma ótima educação, inclusive sendo excepcional pela sua inteligência. Falava fluentemente húngaro, latim e alemão. Embora capaz de cometer todo tipo de atrocidade, ela tinha pleno controle de suas faculdades mentais.
Aos 14 anos engravidou de um camponês, e como estava noiva do Conde Ferenc Nadasdy, fugiu para não complicar o casamento futuro; que ocorreu em maio de 1575. Seu marido era um oficial do exército que, dentre os turcos, ganhou fama de ser cruel. Nos raros momentos em que não se encontrava em campanha de batalha, ensinava a Elizabeth algumas torturas em seus criados indisciplinados, mas não tinha conhecimentos da matança que acontecia na sua ausência por ação de sua amada esposa.
Quando adulta, Elizabeth tornou-se uma das mais belas aristocratas. Quem em sua presença se encontrava, não podia imaginar que por trás daquela atraente mulher, havia um mórbido prazer em ver o sofrimento alheio. Num período em que o comportamento cruel e arbitrário dos que mantinham o poder para com os criados era algo comum, o nível de crueldade de Elizabeth era notório. Ela não apenas punia os que infringiam seus regulamentos, como também encontrava motivos para aplicar punições e se deleitava na tortura e na morte de suas vítimas; muito além do que seus contemporâneos poderiam aceitar. Elizabeth enfiava agulhas embaixo das unhas de seus criados. Certa vez, num acesso de raiva, chegou a abrir a mandíbula de uma serva até que os cantos da boca se rasgassem. Ganhou a fama de ser "vampira" por morder e dilacerar a carne de suas criadas. Há relatos de que numa certa ocasião, uma de suas criadas puxou seu cabelo acidentalmente aos escová-los. Tomada por uma ira incontrolável, Bathory a espancou até a morte. Dessa forma, ao espirrar o sangue em sua mão, se encantou em vê-lo clarear sua pele depois de seco. Daí vem a lenda de que a Condessa se banhava em sangue para permanecer jovem eternamente.
Acompanhando a Condessa nestas ações macabras, estavam um servo chamado apenas de Ficzko, Helena Jo, a ama dos seus filhos, Dorothea Szentos (também chamada de Dorka) e Katarina Beneczky, uma lavadeira que a Condessa acolheu mais tarde na sua sanguinária carreira.
Nos primeiros dez anos, Elizabeth e Ferenc não tiveram filhos pela constante ausência do Conde. Por volta de 1585, Elizabeth deu à luz uma menina que chamou de Anna. Nos nove anos seguintes, deu à luz a Ursula e Katherina. Em 1598, nasceu o seu primeiro filho, Paul. A julgar pelas cartas que escreveu aos parentes, Elizabeth era uma boa mãe e esposa, o que não era de surpreender; visto que os nobres costumavam tratar a sua família imediata de maneira muito diferente dos criados mais baixos e classes de camponeses.
Um dos divertimentos que Elizabeth cultivava durante a ausência do conde, era visitar a sua tia Klara Bathory. Bissexual assumida e muito rica e poderosa, Klara tinha sempre muitas raparigas disponíveis para ambas "brincarem".
Em 1604 seu marido morreu e ela se mudou para Viena. Desse ponto em diante, conta a história que seus atos tornaram-se cada vez mais pavorosos e depravados. Arranjou uma parceira para suas atividades, uma misteriosa mulher de nome Anna Darvulia (suposta amante), que lhe ensinou novas técnicas de torturas e se tornou ativa nos sádicos banhos de sangue. Durante o inverno, a Condessa jogava suas criadas na neve e as banhava com água fria, congelando-as até a morte. Na versão da tortura para o verão, deixava a vítima amarrada banhada em mel, para os insetos devorarem-na viva. Marcava as criadas mais indisciplinadas com ferro quente no rosto ou em lugares sensíveis, e chegou a incendiar os pêlos pubianos de algumas delas. Em seu porão, mandou fazer uma jaula onde a vítima fosse torturada pouco a pouco, erguendo-a de encontro a estacas afiadas. Gostava dos gritos de desespero e sentia mais prazer quando o sangue banhava todo seu rosto e roupas, tendo que ir limpar-se para continuar o ato.
Quando a saúde de Darvulia piorou em 1609 e não mais continuou como cúmplice, Elizabeth começou a cometer muitos deslizes. Deixava corpos aos arredores de sua moradia, chamando atenção dos moradores e autoridades. Com sua fama, nenhuma criada queria lhe servir e ela não mais limitou seus ataques às suas servas, chegando a matar uma jovem moça da nobreza e encobrir o fato alegando suicídio.
As investigações sobre os assassinatos cometidos pela Condessa começaram em 1610. Foi uma excelente oportunidade para a Coroa que, há algum tempo, tinha a intenção de confiscar as terras por motivos de dívida de seu finado marido. Assim, em dezembro de 1610 foi presa e julgada. Em janeiro do ano seguinte foi apresentada como prova, anotações escritas por Elizabeth, onde contava com aproximadamente 650 nomes de vítimas mortas pela acusada. Seus cúmplices foram condenados à morte e a Condessa de Bathory à prisão perpétua. Foi presa num aposento em seu próprio castelo, do qual não havia portas nem janelas, só uma pequena abertura para passagem de ar e comida.
Em 21 de agosto de 1614, os carcereiros perceberam que ela estava morta, e a Condessa acabou sepultada no mesmo lugar onde passara a infância, em Ecsed.
O seu corpo deveria ter sido enterrado na igreja da cidade de Csejthe, mas os habitantes acharam repugnante a idéia de ter a "Infame Senhora" sepultada na cidade.
Até hoje, o nome Erzsebet Báthory é sinônimo de beleza e maldade para os povos de toda a Europa.

Ruínas do Castelo



Sinistro!!!

Essas informações foram retiradas do site: http://www.spectrumgothic.com.br/ocultismo/misterios/bathory.htm

Por Liliith 11:18 PM Comments:


Quinta-feira, Outubro 04, 2007




O Rio


Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas no céu, refletí-las.
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refletí-las também sem mágoa
Nas profundidades tranqüilas.


Manuel Bandeira

Por Liliith 11:22 PM Comments:


Sexta-feira, Junho 22, 2007

Rossetti


O Primeiro Inverno

Deméter era mãe da bela jovem Perséfone. Um dia, Hades o deus dos infernos raptou Perséfone e a levou-a para o submundo. Deméter procurou sua filha por todo o mundo, desesperada, e sua tristeza era tanta que a natureza toda se ressentiu. Como Deméter é a própria mãe natureza , um terrível Inverno ia devastando toda a face da terra, situação propositadamente causada por Deméter para chamar atenção ao rapto que ninguém ligou. Com a terra secando e os homens morrendo de fome e frio, Zeus interveio, enviando Hermes, o deus mensageiro, para procurar Perséfone por todos os cantos do mundo. Descobriu-se que ela estava no inferno e que havia se tornado mulher de Hades. Deméter continuou irredutível e exigiu que sua filha voltasse para junto da mãe. Perséfone estava ligada a Hades para sempre, pois havia comido Romã pertencente aos mundos infernais. Foi então feito um acordo, onde por 6 meses do ano Perséfone ficaria com a mãe e os outros 6 com o marido. Quando a filha regressou toda a terra voltou a produzir abundantemente, e este período ficou conhecido como primavera. No verão a alegria se mantinha, até o retorno da filha ao Hades, quando novamente Deméter se deprimia e as folhas começavam a cair até quando chegava sua tristeza total - o Inverno. E o ciclo se repete infindavelmente marcando as estações do ano e os ciclos de Perséfone. (Mitologia Grega)
Observação....
Os antigos acreditavam que Perséfone era a própria semente que dormia sob a terra durante o inverno e Deméter era uma das Deusas mais cultuadas e temidas pela sua influência na agricultura...

Bom solstício de inverno a todos!

Por Liliith 6:00 PM Comments:


Quarta-feira, Junho 13, 2007

waterhouse



"... Em algum lugar onde nunca estive, de bom grado além de toda experiência, seus olhos têm seu próprio silêncio:
em seu mais frágil gesto há coisas que me envolvem, ou que não posso tocar por estarem próximas demais... seu mais singelo olhar facilmente me desvela...embora eu tenha me fechado como dedos, você abre pétala por pétala a mim, como abre a primavera (tocando habilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa... nada do que havemos de perceber neste mundo iguala o poder da sua intensa fragilidade...algo em mim compreende apenas que a voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas..."

E.E. Cummings

Por Liliith 1:56 PM Comments:


Sexta-feira, Abril 27, 2007



Para realmente amar uma mulher, para compreendê-la,
Você precisa conhecê-la profundamente ,
Ouvir cada pensamento, ver cada sonho,
E dar-lhe asas quando ela quiser voar.
Então, quando você se achar repousando
Desamparado nos braços dela,
Você saberá que realmente a ama...

Bryan Adams




Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos,
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.
Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita dos tempos
Até a região onde os silêncios moram.
Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.
Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
E em tudo que ainda estás ausente.
Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.
Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.

Adalgisa Nery


Amar e ser amada... é realmente sublime...
É inexplicável como estar ao seu lado me tornou mais tranquila,
mais equilibrada, mais feliz! Uma felicidade suave e constante...
Estar com você me faz bem! TE AMO!!!!


Por que o amor é brega mesmo!!!!! :D

Por Liliith 11:20 PM Comments:


Quarta-feira, Março 07, 2007



Casar ou não casar?
Boa pergunta. As duas possibilidades são atraentes, fascinantes, sedutoras. Cada uma delas apresenta enormes e infinitas vantagens e desvantagens, e, na hora de decidir, só mesmo o amor (em alguns casos, o dinheiro, com uma boa comunhão de bens) é que ajuda a resolver. Alguma coisa na vida é melhor do que quando ele chega do trabalho e te dá um abraço bem apertado dizendo que estava morrendo de saudade? Não precisar se programar para o fim de semana, para as viagens, pegando telefones de pessoas que nunca viu para não ficar sozinha num quarto de hotel? E o prazer quando ele pede "Amor, traz um copo de água pra mim", na hora do telejornal, ou "Benzinho, viu meu livro?"; pode ser melhor? Saber que, quando pegar gripe, ele vai telefonar várias vezes do trabalho para perguntar se melhorou; dizer que te adora quando você estiver carente. E poder pedir para ele coçar suas costas, pegar a tesourinha, ter um colinho para ver o filme... ah, que coisa boa. Tudo bem, mas se a vida fosse assim tão fácil, não tinha graça. E para ele? Naquele dia em que o trânsito está daquele jeito, que não conseguiu acertar uma no trabalho, que o dinheiro esperado não entrou na conta; e você, sem saber de nada, abre aquele sorriso - aquele que o encantava tanto - e mostra o penteado novo, como ele reage? Justa ou injustamente, ele vai achar que é tudo culpa sua. E por acaso faz sentido alguém estar de bom humor com o país em crise? Se trabalhasse e enfrentasse uma boa fila de banco, ia entender melhor a vida e parava de sorrir como uma idiota alienada. Acreditou? Pois agora agüente. Como ele gostaria, nesse dia, de chegar em casa e poder tudo: deitar na cama sem tirar os sapatos e não ouvir ninguém dizendo "Cuidado com o lençol"; sair do banho para atender o telefone e ficar horas falando, enrolado na toalha, a torneira do chuveiro aberta; esquecer o forno aceso e queimar tudo, dane-se o jantar, dormir com fome às vezes é ótimo, contanto que não tenha ninguém para infernizar seu juízo. A liberdade é o maior dos bens, quem não sabe? Mas, na hora de dormir, como é bom uma presença, aquela impressão de não ser só, a certeza de ter com quem contar. Alguma coisa substitui essa sensação? Claro que não. E ainda tem o futuro, ou alguém acha que ficará jovem para sempre? Com quem vai ver televisão, quem vai cuidar de seus achaques, conversar na insônia da madrugada? Todo mundo tem razão e cada um vai ter que achar sua resposta; resposta, aliás, que não existe. Todos nós adoraríamos ser casados na hora em que quiséssemos e absolutamente solteiros na hora em que bem entendêssemos, e quem não concordar está mentindo. Existem também os novos casamentos, casar e morar separado, não casar e morar junto; a humanidade ainda não desistiu de encontrar a solução para o problema homem/mulher (e equivalentes). Não vai encontrar nunca porque para isso não existe solução e essa conversa nunca terá fim. Mas está todo mundo procurando e, enquanto procura, que delícia.

Por Danuza Leão

Por Liliith 8:22 PM Comments:


Terça-feira, Fevereiro 20, 2007



Casas Amáveis


Vocês me dirão que as casas antigas têm ratos, goteiras, portas e janelas empenadas, trincos que não correm, encanamentos que não funcionam. Mas não acontece o mesmo com tantos apartamentos novinhos em folha?

Agora, o que nenhum arranha-céu poderá ter, e as casas antigas tinham, é esse ar humano, esse modo comunicativo, essa expressão de gentileza que enchiam de mensagens amáveis as ruas de outrora.

Havia o feitio da casa: os chalés, com aquelas rendas de madeira pelo telhado, pelas varandas, eram uma festa, uma alegria, um vestido de noiva, uma árvore de Natal.

As casas de platibanda expunham todos os seus disparates felizes: jarros e compoteiras lá no alto, moças recostadas em brasões, pássaros de asas abertas, painéis com datas e monogramas em relevos de ouro. Tudo isso queria dizer alguma coisa: as fachadas esforçavam-se por falar. E ouvia-se a sua linguagem com eternecimento. Mas, hoje, quem se detém a olhar para rosas esculpidas, acentos, estrelas, cupidos, esfinges, cariátides? Eram recordações mediterrâneas, orientais: mitologia, paganismo, saudade. (Que quer dizer saudade? E para que e o que recordar?)

Os jardins tinham suas deusas, seus anões; possuíam mesmo bosques, onde morariam ecos e oráculos; e pequenas cascatas, pequenas grutas com um pouco d'água para os peixinhos. Possuíam canteiros de flores obscuras - violetas, amores-perfeitos - para serem vistas só de perto, carinhosamente, uma por uma, de cor em cor. (Hoje, estes ventos grandiosos apagam tudo.)

E, lá dentro, as casas tinham corredores crepusculares, porões úmidos, habitados por certos fantasmas domésticos, que de vez em quando se faziam lembrar, com seus pálidos sopros, seus transparentes calcanhares, suas algemas de escravidão. As famílias abrigavam cortejos de mortos.

E havia as clarabóias. Luz como aquela? Nem a do luar! - uma suavidade de cinza e marfim, a maciez da seda, o fulgor da opala.

As casas eram o retrato de seus proprietários. Sabia-se logo de suas virtudes e defeitos. Retratos expostos ao público: nem sempre simpáticos, mas geralmente fiéis.

Agora, os andaimes sobem, para os arranha-céus vitoriosos, frios e monótonos, tão seguros de sua utilidade que não podem suspeitar da sua ausência de gentileza.

Qualquer dia, também desaparecerão essas últimas casas coloridas que exibem a todos os passantes suas ingênuas alegrias íntimas - flores de papel, abajures encarnados, colchas de franjas - e sujas risonhas proprietárias têm sempre um Y no nome, Yara, Nancy, Jeny... Ah! Não veremos mais essas palavras, em diagonal, por cima das janelas, de cortininhas arregaçadas, com um gatinho dormindo no peitoril.

Afinal, tudo serão arranha-céus. (Ninguém mais quer ser como é: todos querem ser como os outros são.)

E eis que as ruas ficarão profundamente tristes, sem a graça, o encanto, a surpresa das casas que vão sendo derrubadas. Casas suntuosas ou modestas, mas expressivas, comunicantes.

Casas amáveis.


Cecília Meireles

Por Liliith 9:48 AM Comments:


Sábado, Janeiro 13, 2007

É engraçado ter postado algo tão "fofinho" sobre o natal e na verdade esse foi meu natal menos mágico... nem pensei..."nossa...em 2007 minha vida vai mudar"...como penso a cada ano novo.Foi apenas um fim de semana com comida boa.
Juro que não quero virar um cogumelo.

"Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes." C.L.

Por Liliith 2:56 PM Comments:


Terça-feira, Novembro 28, 2006

" São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação."

Constituição Federal do Brasil, 1988...X, artigo 5°.

Falar hoje em inversão de valores é chover no molhado, todas as pessoas que tem o mínimo de inteligência e senso crítico percebem a manipulação que a mídia vêm fazendo a tempos.

Isso para mim foi a gota d´agua.:

clique aqui e veja você mesmo.

Essa propaganda, dentre tantas bobagens tem a mensagem mais que subliminar, pois pra mim é explícita que:

@ Mulheres são burras e fáceis de enganar.

@ Trair sua esposa/namorada/parceira é legal

@ Pessoas sábias bebem cerveja o dia todo e tem várias mulheres.

@ Se você ajudar alguém, pode obter favores sexuais dessa pessoa.

Além dos absurdos, onde foi feita a propaganda da cerveja em si?
Em algum momento falou-se das qualidades da CERVEJA?

Não consigo aceitar que as pessoas não se revoltem com esse tipo de coisa....


Por Liliith 7:58 PM Comments:


Quinta-feira, Novembro 02, 2006

Mais brega e verdadeiro...impossível... ;)

Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Nunca deixe que lhe digam
que não vale a pena
acreditar num sonho que se tem

Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo

Quem acredita sempre alcança...


Por Liliith 12:48 PM Comments:


Quarta-feira, Agosto 30, 2006




O PIOR

O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.

Mario Quintana

Por Liliith 8:10 PM Comments:


Quinta-feira, Agosto 03, 2006

Um dia descobrimos


Um dia descobrimos que beijar
uma pessoa para esquecer outra
é bobagem.

Você não só não esquece
a outra pessoa como pensa muito
mais nela....

Um dia nós percebemos que as
mulheres tem instinto "caçador" e
fazem qualquer homem sofrer...

Um dia descobrimos que
se apaixonar é inevitável...

Um dia percebemos que as
melhores provas de amor
são as mais simples...

Um dia percebemos que
o comum não nos atrai...

Um dia saberemos que ser
classificado como o "bonzinho"
não é bom...

Um dia perceberemos que
a pessoa que nunca te liga
é a que mais pensa em você...

Um dia saberemos
a importância da frase:
"Tu te tornas eternamente responsável
por aquilo que cativas..."

Um dia percebemos que
somos muito importantes para alguém,
mas não damos valor a isso...

Um dia percebemos como
aquele amigo faz falta,
mas aí já é tarde demais...

Enfim... um dia descobrimos
que apesar de viver quase um século
esse tempo todo não é suficiente
para realizarmos todos os nossos sonhos,
para beijarmos todas as bocas
que nos atraem, para dizer tudo
o que tem que ser dito naquele momento.

Não existe hora certa para dizer
o que sentimos se quem estiver
te ouvindo não te compreender,
não te merecer...

O jeito é: ou nos conformamos
com a falta de algumas coisas
na nossa vida
ou lutamos para realizar
todas as nossas loucuras...


Quem não compreende um olhar
tampouco compreenderá uma
longa explicação.

Desconheço o autor




Por Liliith 3:07 PM Comments:


Sábado, Maio 13, 2006



"O sangue pagão retorna! Se o Espírito está próximo, por que Cristo não o ajuda, dando à minha alma nobreza e liberdade?
Ai, o Evangelho caducou! O Evangelho! O Evangelho.
Aguardo deus com gula. Sou de raça inferior por toda a eternidade.
Eis-me na praia provinciana. Que as cidades se acendam de noite. Minha jornada terminou, abandono a Europa. O ar marinho queimará meus pulmões, climas ignotos me curtirão. Nadar, desbastar verdes, caçar, sobretudo fumar; tomar bebidas fortes como metal fundindo, como faziam nossos caros ancestrais em volta do fogo.
Voltarei, com membros de ferro, a pele sombria, olhar furioso; pela máscara me julgarão raça forte; terei dinheiro; vou ser ocioso e brutal. As mulheres cuidarão dos ferozes doentes de volta dos países tropicais. Entrarei nos negócios políticos. Serei salvo.
Por ora sou maldito, tenho horror da pátria. O melhor é um sono bem bêbado na praia".

"Uma Temporada no Inferno"
Rimbaud



Por Liliith 6:18 PM Comments:


Quarta-feira, Abril 05, 2006



"Primeiro você cai num poço.
Mas não é ruim cair num poço assim de repente?
No começo é.
Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço.
Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim?
A gente não sente medo?
A gente sente um pouco de medo mas não dói.
A gente não morre?
A gente morre um pouco em cada poço.
E não dói? Morrer não dói.
Morrer é entrar noutra.
E depois: no fundo do poço do poço do poço você vai descobrir quê".

(Nos poços - Caio Fernando Abreu)



Por Liliith 6:18 PM Comments:


Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006



Conheci pessoas ótimas no trabalho, mas to me sentindo como uma formiga!!

Essa versão do Monteiro Lobato é perfeita!! heh

A CIGARRA E A FORMIGA

Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé do formigueiro.
Só parava quando cansadinha; e seu divertimento era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas.
Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas,
Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas.
A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém.
Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro. Bateu ¿ tique, tique, tique...
Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina.
- Que quer? ¿ perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.
- Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu...
A formiga olhou-a de alto a baixo.
- E que fez durante o bom tempo que não construí a sua casa?
A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois dum acesso de tosse.
- Eu cantava, bem sabe...
- Ah!... exclamou a formiga recordando-se.
Era você então que cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas?
- Isso mesmo, era eu...
Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou.
Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho.
Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora!
Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo.
A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol
.

Do livro Fábulas, Monteiro Lobato, 1994.

Resumindo...

"A formiga só trabalha por que não sabe cantar".
Raul Seixas


Bom feriado a todos!

Por Liliith 3:54 PM Comments:


Quinta-feira, Setembro 22, 2005


Por Liliith 10:26 PM Comments:


Sábado, Julho 16, 2005

É gente... template novo...minha cara!!! hehhe
Minha vida ainda não está arrumada... mas... tudo bem.
Estou estudando novamente. Nada demais...
Sabe aquela propaganda da DORIANA?
Tem uma música linda... estou apaixonada por ela.
Para quem quiser ouvir:
La vie ensamble
Olha a tradução que linda!

La vie ensamble
A vida a dois

Pour trouver l amour
Para encontrar o amor
Il faut vivre le réve
É preciso viver o sonho
Le réve de se donner toujours
O sonho de se dar sempre
Pour toucher le ciel
Para tocar o céu
to dois rester leger
Deve-se ficar leve
pour que tes ailes t emmenent loin
Para que as asas te levem para longe

La vie ensamble
A vida a dois
rendra le simple
Se tornará simples
trés beau
E muito bonita
trés beau
E muito bonita
La vie ensamble
A vida a dois
et sans blême
Sem mesmice
et si simple
E muito simples
c est ça que je veux
É isso que eu quero

Fábio Goes

Por Liliith 11:42 PM Comments:


Quinta-feira, Junho 02, 2005

Estou precisando reorganizar minha vida....

Eve...te adoro menina!!
Aos amigos...Bjossssss!!!




Por Liliith 9:41 PM Comments:


Sábado, Maio 14, 2005


"Quando eu for velha vou me vestir de roxo
Com um chapéu vermelho que não combina, e não me deixa bem.
Quero gastar minha aposentadoria em conhaque, luvas de seda
E sandálias de cetim, e dizer que não temos o dinheiro da manteiga.
Sentar- me no chão quando estiver cansada
Devorar amostras nas lojas e apertar botôes de alarme
E raspar minha bengala pelos gradis das ruas
Para compensar a sobriedade da minha juventude.
Sairei de chinelos na chuva
Colherei flores em jardins alheios
E aprenderei a escarrar.
poder usar blusas medonhas e deixar- me engordar
E comer dois quilos de linguiça de uma só vez
Ou apenas pão e picles por uma semana
E estocar canetas e lápis e bolachas de chope e coisas em caixas.
Mas por ora devemos ter roupas que nos mantenham secas
Pagar nosso aluguel e não xingar pelas ruas
Dando bom exemplo para as crianças.
Temos de convidar amigos para o jantar e ler os jornais.
Mas se eu puder ir praticando um pouco agorinha mesmo?
Para quem me conhece não fique chocado ou surpreso
Quando eu for velha e passar a usar roxo."

Jenny Joseph

Maninha linda, esse poema é lindo e é em sua homenagem!!
PARABÉNS, PARABÉNS...HOJE É O SEU DIA...QUE DIA MAIS FELIZZZZZZZZZZZZ!!!!
Parabéns Gigica, muitas felicidades e tudo de bom e de melhor nesse munnnnnnnnndo!!! Te adoooooro!!! Beijos da maninha!

Por Liliith 5:53 PM Comments:


Sexta-feira, Maio 13, 2005


"Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquele cara que você ama (ou acha que ama) e
que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas...é cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar, não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!"


(Mário Quintana)

Por Liliith 12:05 AM Comments:


Quarta-feira, Maio 04, 2005




Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Gregório de Matos


Por Liliith 11:37 PM Comments: